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Porque sua empresa precisa transformar a reforma tributária em números

A Reforma Tributária do consumo já começou — e isso não é segredo.

Em 2026, ela deixa de ser apenas um tema no campo das ideias e expectativas, e entra em fase de testes, que é quando a mudança começa a ganhar corpo: regras passam a ser aplicadas na prática, obrigações e rotinas precisam ser ajustadas e a empresa é chamada a operacionalizar o novo modelo, com efeitos concretos no dia a dia para ver a Reforma tomando forma no mundo real. É uma etapa clara de transformação. Essa virada de chave foi reforçada em materiais e comunicados oficiais publicados no fim de 2025 e início de 2026, quando a Receita Federal do Brasil e o Comitê Gestor do IBS consolidaram orientações sobre a entrada em vigor do período de testes em 2026 e a implantação progressiva do novo modelo tributário.

O ponto, porém, é transformar a Reforma Tributária em decisão de gestão. Isso só acontece quando todas as variáveis das novas regras são traduzidas em números reais e comparáveis, que sustentem as decisões com segurança. Sem essa leitura financeira, a organização pode descobrir tarde demais que deveria ter recalibrado preços, renegociado contratos, ou preparado capital de giro.

A base da mudança é estrutural: a Reforma reorganiza a tributação do consumo com o IVA dual (CBS e IBS) e princípios como a não cumulatividade, com regras construídas a partir de novas leis e regulamentos. Para a empresa, isso significa que “entender a lei” é apenas o começo, o ganho ou a perda aparece quando você consegue enxergar como cada operação (produto/serviço) se comporta no novo desenho e como isso se traduz em impacto financeiro. Na prática, a pergunta é: onde essa mudança aparece primeiro no seu negócio? Quase sempre, ela começa pelos números que sustentam a operação — custo, margem e caixa.

No custo, a Reforma muda o preço de compra. Qual é o custo real das mercadorias no seu negócio? No modelo de tributação atual, o valor negociado com fornecedores já vem com tributos “por dentro” (embutidos no preço), o que dificulta separar o que é valor líquido do item do que é carga tributária incorporada. Com a transição para o novo modelo, essa lógica precisa ser revista: por quanto essa mesma mercadoria deveria ser negociada no novo modelo de tributação? Se a empresa não fizer essa conta, corre o risco de comparar preços de forma errada, e aqui a margem some silenciosamente. O caminho é abrir o custo de compra, revisar condições comerciais e entender o novo contexto antes de negociar – ou renegociar – tabela de preços e contrato.

Na margem (e, por consequência, no preço) a Reforma mexe diretamente na matemática do resultado. Com o IVA dual (CBS e IBS), a margem precisa ser enxergada com mais nitidez: o que é receita líquida de fato, o que é tributo incidente na saída e quais créditos a operação realmente captura na entrada. Parece detalhe contábil, mas é aqui que as distorções mais perigosas surgem: um item que aparentemente é saudável pode perder rentabilidade quando os créditos são menores do que o esperado; outro pode ganhar competitividade quando a carga efetiva cai ao longo da cadeia. Sem simulação por produto/serviço, a empresa tende a tomar decisões com base no “markup histórico” — e markup histórico não sobrevive a uma mudança estrutural de base, alíquota e crédito. A saída é recalcular margem e preço a partir do novo desenho tributário para evitar que a rentabilidade seja corroída.

No fluxo de caixa o impacto costuma ser mais sentido no dia a dia. A transição para um modelo não cumulativo muda a dinâmica de “paga e recupera”, créditos podem surgir em volumes relevantes, mas a capacidade de usá-los (ou o tempo para transformá-los em compensação efetiva) é o que determina se eles aliviam ou pressionam o caixa. Além disso, a Reforma tende a exigir mais disciplina operacional — documentação correta, classificação fiscal, consistência entre compras e vendas — porque qualquer falha pode atrasar o crédito ou travar seu aproveitamento. Some a isso o período de convivência de sistemas, a necessidade de adequar rotinas e a possibilidade de descasamentos de timing entre recolhimento na saída e apropriação de crédito na entrada, e você tem um cenário clássico de pressão por capital de giro. Por isso, entender as regras não basta: é preciso projetar calendário de desembolsos e entradas, mapear onde pode haver acúmulo de créditos e desenhar uma estratégia de gestão desses saldos para que a Reforma não vire um aperto de caixa disfarçado de modernização tributária.

A Reforma Tributária do consumo, no Brasil, entrou na etapa em que a mudança deixa de ser interpretação e passa a ser execução: 2026 é o ano em que o novo modelo começa a ser operacionalizado e testado; 2027/2028 trazem marcos que afetam a vida real de empresas e cadeias inteiras.

Por isso, a recomendação é: faça a conta agora. Não uma conta genérica, mas uma estimativa técnica baseada em dados do seu negócio, capaz de traduzir regras em custo, margem e caixa — e, a partir disso, orientar preço, contratos, portfólio e capital de giro. Quem atravessa 2026 com previsibilidade é quem transforma a Reforma em diagnóstico e decisão antes do impacto aparecer no resultado.

Aqui na TXKapital estamos preparados para realizar o cálculo dos impactos da reforma tributária no seu negócio. Conte conosco e procure um dos nossos especialistas através dos canais de atendimento.

Camila Curbani – Contadora Tributária

Mestre em Controladoria e Contabilidade – FEARP-USP

CRC-SP 308812/O-3

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